A ponte entre teoria polivagal e a sexualidade somática

Teoria Polivagal e Sexualidade Somática: Uma Nova Perspectiva sobre Prazer, Segurança e Autoconsciência

Nós, seres humanos, desejamos  intimidade. Intimidade é uma necessidade natural, como a fome ou a sede. Mais que isso, intimidade é uma parte intrínseca da experiência humana. Temos necessidades como toque, segurança, pertencimento e validação, porque isso contribui para a sobrevivência da espécie, e toda espécie busca de forma natural a sua perpetuação.

Por que então tantas pessoas se retraem diante do toque, do prazer ou da entrega? Por que, às vezes, o encontro erótico desperta medo, vergonha ou desconexão em vez de excitação e vínculo?

Essas interações humanas deveriam ser tratadas como naturais e desejáveis, mas nem todos conseguimos experimentá-las dessa forma. Como sabemos, a sexualidade está no topo da lista de experiências humanas onde nos afastamos do que seria orgânico e natural. 

É no contexto de ressignificação e naturalização das nossas experiências com a sexualidade que esse campo de estudos e caminho terapêutico chamado Sexualide Somática vem ganhando protagonismo.

A Teoria Polivagal, criada pelo neurocientista Stephen Porges, tem sido um campo potente para apontar caminhos para compreender a relação entre sistema nervoso e sexualidade, tornando-se um dos pilares mais importantes da Sexualidade Somática. 

Afinal, o corpo precisa se sentir seguro para poder relaxar, abrir e se entregar ao prazer.

O que é a Teoria Polivagal?

Desenvolvida por Stephen Porges nos anos 1990, a teoria polivagal revolucionou nossa compreensão sobre o sistema nervoso autônomo. Ela descreve como o SNA regula nossas respostas frente a situações de perigo ou segurança, influenciando emoções, comportamentos e até nossas relações interpessoais. Segundo Porges, temos três estados principais mediados pelo nervo vago, que nos preparam para luta/fuga, congelamento ou conexão segura. 

  • Nervo Vago Ventral: é o estado de segurança, presença e conexão. Nele, o corpo sente que é seguro relaxar, interagir com o outro, acessar o prazer e a criatividade.
  • Sistema Simpático: ativado em situações de ameaça, prepara o corpo para lutar ou fugir. Pode gerar ansiedade, tensão, irritabilidade ou agitação.
  • Nervo Vago Dorsal: ligado a respostas de colapso e congelamento. É o modo da dissociação e da ausência, diante de algo que é percebido como sendo insuportável para o sistema.

A ativação destes estados ocorre normalmente de forma involuntária, a partir da leitura que o sistema nervoso faz do ambiente, leitura essa que sofre influência de memórias emocionais e de experiências traumáticas.

Colocando o corpo como protagonista do caminho: a Sexualidade Somática

A sexualidade somática é uma abordagem terapêutica e educacional que vem ganhando cada vez mais espaço, pois coloca o corpo em seu devido lugar, que é o de protagonista na interpretação dos espaços por onde transitamos e interagimos. 

Para a sexualidade somática, a sensação de segurança no contato é um elemento crucial para se vivenciar uma experiência de prazer que seja espontânea e natural. Já o prazer é visto como elemento fundamental na saúde física, emocional, no crescimento espiritual e na construção da intimidade.

A sexualidade somática propõe um caminho de autoconsciência, regulação e reconexão com o corpo como território sagrado.

Onde a Teoria Polivagal e a Sexualidade Somática se encontram?

O princípio central da teoria polivagal é somente quando o sistema nervoso sente-se seguro é que conseguimos acessar estados de prazer profundo, criatividade e vínculo. 

Em um contexto cultural onde a relação com o prazer, o corpo e a própria sexualidade tem sido experimentada bem distante do que seria natural e espontâneo, portanto seguro do ponto de vista biológico, a sexualidade somática utiliza práticas que ampliam essa sensação de segurança corporal, fundamentais para sair do estado de defesa e abrir espaço para o prazer consciente.

Nosso sistema nervoso precisa estar em um estado de vago ventral para que o corpo possa vivenciar o prazer de maneira plena e segura.

Já em estados de ativação simpática, a excitação pode levar o corpo a se manter em estado de alerta, sem conseguir relaxar.

Nos estados dorsais, é possível experimentar congelamento, ausência de desejo ou dissociação durante a experiência com a intimidade.

Reconhecer nossos estados corporais – de alerta, congelamento ou relaxamento – é essencial para identificar respostas automáticas de defesa e conseguir avançar para estados de “conexão” e intimidade. Práticas somáticas baseadas nos princípios polivagais oferecem meios de perceber esses estados e restaurar a autorregulação.

Tanto a sexualidade somática quanto a teoria polivagal destacam a importância da co-regulação: a capacidade de se sentir seguro e relaxado na presença de outra pessoa. Esse processo é essencial, pois aprendemos a autorregulação emocional e corporal nos vínculos interpessoais, especialmente nas experiências de toque e intimidade.

Afinal, prazer é um recurso biológico de regulação emocional e relacional, e quando experimentado em situações de segurança, o nervo vago ventral será ativado e toda uma torrente de benefícios será experimentada, inclusive aumento da vitalidade e criatividade.

Conclusão

Ao integrar a teoria polivagal à sexualidade somática, abrimos novos caminhos para viver a sexualidade com mais consciência, segurança e prazer. Práticas que ajudem a compreender os estados polivagais e conhecer e respeitar o tempo do corpo nos ajudarão a viver a nossa potência de vida, algo que o erotismo nos disponibiliza e que faz parte da nossa vocação como seres humanos.  

Essa é a minha missão como educador sexual somático!

Se você deseja aprofundar-se nessa abordagem, conte comigo para as sessões de sexualidade somática!

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